sexta-feira, 30 de maio de 2014
O
uso das TIC (Tecnologia de Informação e Comunicação) na educação
é um assunto que vem ganhando muito destaque ultimamente. Escolas da
rede pública e particular estão buscando “adequar-se” ao
contexto desse fervor tecnológico e utilizar recursos digitais no
ambiente escolar, disponibilizando o acesso à computadores, tablets,
internet, ou adotando programas que visam proporcionar uma estrutura
de um computador por aluno, dentre outras tantas iniciativas.
Porém,
todas essas experiências de inserção das TIC na escola devem
responder a duas questões, na
perspectiva de alcançar um trabalho e um projeto em benefício dos
estudantes e de sua aprendizagem:Por
quê? e Como?
Essas
duas questões vêm sendo negligenciadas durante os processos e
projetos de trabalho com recursos tecnológicos no ambiente escolar,
de modo que as iniciativas respondem somente à demanda ou à
justificativa de acompanhamento do fluxo de evolução social.
Diretores e coordenadores estão preocupados então em, simplesmente,
possuir uma estrutura de computadores e impressionar uma comunidade
de pais pelo luxo que esses recursos representam. Nesse contexto o
verdadeiro potencial e objetivo que os recursos das TIC possibilitam
são deixados de lado, ou seja, a contribuição para a aprendizagem
significativa e para o protagonismo dos processos de construção do
saber.
Por
que introduzir
as ferramentas de tecnologia e comunicação no ambiente escolar?
A
inserção das TIC na educação está acompanhada de uma perspectiva
de mudança e de melhora
da prática educativa.
Tanto as escolas da rede pública quanto da rede particular, apontam
uma dificuldade em envolver os estudantes nos processos de
aprendizagem e em agregar sentido na construção desse saber. Muitos
professores relatam a falta de interesse dos alunos em relação aos
conteúdos abordados em sala de aula, enquanto muitos estudantes
reclamam de como esses conteúdos são apresentados. Logo, o uso das
TIC chega como uma proposta de que a escola se repense como uma
instituição de ensino-aprendizagem, possibilitando uma reflexão
muito mais ampla sobre sua metodologia, espaços, tempos e agentes
dos processos de construção do saber.
É
muito comum as escolas apresentarem seus projetos de inserção de
tecnologia com a justificativa de que esse trabalho é importante por
ser a realidade dos estudantes de hoje em dia. Correto. A geração
atual, dos quais estes estudantes fazem parte, possui facilidade em
utilizar ferramentas digitais e em interagir em ambientes virtuais
como redes sociais, blogs, sites, etc. Porém, isso não significa
que eles possuem facilidade em utilizar essas ferramentas no ambiente
escolar. Nessa perspectiva, é função da escola incluir em seu
projeto de inserção das TIC um trabalho dealfabetização
digital com
seus estudantes, na perspectiva de desenvolver habilidades como:
- Autonomia da busca por conhecimento
- Domínio de utilização de ferramentas digitais
- Olhar crítico
- Manipulação de informações de maneira simultânea
- Criação de conteúdos
- Comunicação com variedade de propósitos
- Posicionamento frente a conteúdos, opiniões e informações divulgadas
O
desenvolvimento da alfabetização digital garante aos estudantes uma
autonomia em utilizar as ferramentas tecnológicas em processos
educativos, de modo a motivar e estimular a participação do grupo,
o que torna a aprendizagem dos conteúdos e habilidades vivenciadas
muito mais efetivas e significativas para os envolvidos.
Com
a utilização das TIC os estudantes passam a ter um papel de
protagonistas do processo de aprendizagem, assumindo responsabilidade
e autonomia frente aos momentos de pesquisa de informações e
conteúdos, de produção, de compartilhamento da sistematização
produzida, mas nessa perspectiva a função do professor também está
sujeita a uma grande mudança, na qual ele não possui o papel de
transmissor de conhecimento, e sim passa a ser um mediador entre os
estudantes e o seu acesso ao conhecimento.
Professores
e estudantes planejando, trabalhando e produzindo conteúdo para
divulgar em ambientes virtuais possibilitam que o conhecimento
construído esteja disponível para qualquer pessoa, e que a
experiência de construção dessa aprendizagem possa ser acessada em
outros espaços e tempos que fogem à grade horária de uma
instituição escolar, e do espaço físico de uma sala de aula,
podendo agregar opiniões e informações de pessoas ao redor do
mundo durante o processo do trabalho.
A
disseminação dos processos de trabalho em ambientes virtuais também
permite um envolvimento maior de toda a comunidade escolar frente a
um projeto desenvolvido, uma vez que possui a potência de envolver
agentes da escola como professores, outros estudantes, funcionários
e as famílias. Os pais, que possuem uma relação muito distante da
escola, ganham a possibilidade de se envolver com os processos dos
projetos de seus filhos, de modo a contribuir com a construção do
conhecimento e acompanhar o envolvimento de seu filho ao longo do
percurso, contribuindo assim para desconstruir uma postura passiva e
alheia ao processo, e que só se manifesta ao final do ano em relação
às notas obtidas.
Cada
instituição escolar deve refletir sobre suas peculiaridades e
vislumbrar como a inserção das TIC na educação pode ser benéfica
à aprendizagem de seus estudantes, contribuindo para o protagonismo
durante o processo de ensino-aprendizagem e para o desenvolvimento da
autonomia de uma comunidade escolar frente à produção de
conhecimento.
Como introduzir
as ferramentas de tecnologia e comunicação no ambiente escolar?
Não
existe uma fórmula e nem uma estrutura ideal que garanta o sucesso
de um processo de inserção das TIC na educação, e nem uma
cartilha de ferramentas e instrumentos tecnológicos que irão
impactar a aprendizagem dos estudantes. O cerne da garantia do
processo de transformação de uma escola para trabalhar com esses
novos recursos deve ser contemplado no processo de formação
dos professores, uma vez que eles são os agentes que irão
proporcionar que a transformação do contexto de ensino-aprendizagem
ocorra de fato.
É
muito importante que os professores reconheçam os objetivos e
potenciais que as ferramentas tecnológicas possibilitam nos
processos de construção de conhecimento, de modo a tornar
intencionais as propostas e possibilidades que cada instrumento
possui dentro de um plano de trabalho. Nessa perspectiva o professor
deve analisar as características e potenciais da ferramenta
selecionada para o trabalho e como ela irá beneficiar o estudante
dentro do processo de trabalho, no que diz respeito à sua
participação ativa, o desenvolvimento de suas habilidades, sua
autonomia frente aos conteúdos abordados e a construção de
conhecimento.
É
importante que o professor também contemple em seu planejamento,
como será o uso real dessas ferramentas, refletindo entre a
estrutura de acesso a instrumentos e ferramentas tecnológicas que
ele consegue providenciar na escola e que seu grupo possui acesso em
outros ambientes, de modo a refletir sobre como será a intervenção
de fato do grupo no processo de construção e manutenção de
projetos em blogs, redes sociais, etc. e a possibilidade e frequência
que ele conseguirá garantir para o desenvolvimento da habilidade de
pesquisa e discussões em ambientes virtuais como fóruns, sites de
busca, sites de compartilhamento de conteúdo, entre outros.
A
formação constante de professores, refletindo sobre as boas
experiências obtidas dentro da perspectiva de projetos desenvolvidos
com apoio de ferramentas de tecnologia de informação e comunicação,
pode auxiliar na compreensão dos potenciais desses recursos em um
plano de trabalho e ajuda a vislumbrar novas possibilidades de se
repensar os processos de construção de conhecimento no ambiente
escolar, de modo a contemplar os estudantes em outro papel nesse
contexto. Portanto, a troca de experiências e relatos sobre os
projetos vivenciados é muito importante dentro de uma equipe de
professores, assim como o acesso a relatos e materiais de outras
instituições que possam fomentar e potencializar essa discussão na
escola.
Estar
aberta a essa discussão e reconhecer o papel do uso das TIC como um
fator que irá modificar as funções e ações dos agentes de um
processo de construção de conhecimento, de modo a buscar uma
melhora na prática educativa e o alcance de uma aprendizagem mais
significativa e autônoma é o primeiro grande passo que uma escola
deve tomar.
Uma
pesquisa diagnóstica sobre as características e peculiaridades em
relação ao acesso e habilidade de uso que sua equipe de
professores, de estudantes e de outros agentes da comunidade escolar
possuem frente às ferramentas e instrumentos tecnológicos, seria o
próximo passo. Esse levantamento permitiria à escola avaliar e
planejar como iniciar a formação do olhar dos professores sobre o
potencial do uso das TIC em sala de aula, assim como nortear o
trabalho de desenvolvimento da alfabetização digital dos
estudantes, e finalmente compreender como se daria a participação
dos diversos agentes da comunidade escolar frente ao fluxo de
construção de conhecimento.
As
escolas encontram-se em um momento de aproximação dessa discussão
e de entender o impacto do uso dessas possibilidades em diversos
âmbitos de complexidade de um ambiente escolar. A reflexão do por
que e
do como as
TIC serão inseridas na sala de aula, irá garantir às instituições
de ensino um impacto significativo de aprendizagem e uma mudança
real de sua prática educativa.
Rafael
dos Santos Martins – 10/07/2012
Achei este artigo muito interessante para gente refletir e comentar.
Diante da questão que se apresenta, é prudente olhar para a história do pensamento humano em sua trajetória. A sobrevivência exigiu que os homens vivessem em grupo. Acredito que esta é a essência do ser humano. Aristóteles disse “o homem é um ser social por natureza”. Há quem questione esta afirmação: Hobbes afirma que é impossível o homem viver em estado de natureza, pois prevaleceria a lei do mais forte “ o homem é lobo do homem”, afirmava ele.
As questões filosóficas se apresentam para que possamos refletir e nos posicionar diante dos problemas atuais. Nesse sentido, o que nos preocupa hoje é se a tecnologia da informação favorece a convivência ou não. Acredito que ainda devemos olhar para nossa história para entendermos essa nova inquietação. Ao longo da história, o homem tende a passar de um extremo a outro. Segundo Aristóteles, o equilíbrio está no meio.
Vejo que as dúvidas e as interrogações, são necessárias para corrigir “a rota”, no caso, a tendência natural do ser humano de posicionar-se nos extremos. Sabendo que a tecnologia veio para ficar e que é um caminho sem volta, queremos ser otimistas e acreditar que novas formas de convivência estão se formando, novos grupos sociais estão sendo gestados. Mesmo que o futuro aponte para o desmanche da família como a concebemos hoje, e, que gerar filhos possa vir a ser um procedimento médico, desprovido da relação homem\mulher e do ventre materno, ainda assim o homem estará vinculado a alguém ou a alguma coisa. Os prejuízos ou as vantagens dessas mudanças ainda não podemos julgar, a não ser a partir de nossas hipóteses fundadas em valores deste momento histórico.
O desenvolvimento tecnológico e tudo o que vem junto, estão promovendo mudanças, sim, que podem ser positivas na medida que forem sustentáveis, justas e para todos. Maria Izelda
A evolução tecnológica tem dois lados: um positivo, afinal em diversas áreas estas descobertas só vêm facilitando maneiras de trabalhar com eficiência e dinamismo. Observamos grandes desafios e conquistas nas áreas da saúde, cultura, educação, segurança, comunicação, etc., e um lado negativo, pois muitos deixaram de lado hábitos saudáveis, cada vez mais as pessoas deixam de relacionar-se pessoalmente, estão esquecendo o lado humano. O toque, o abraço, o "bom dia", já não são tão importantes diante de tanto desenvolvimento.
Por certo não temos como viver sem essa tecnologia, por possuir valiosos prós, e mesmo que se optasse por fazê-lo, teríamos que abrir mão de muitas facilidades e mudar drasticamente nosso modo de vida.
Tais tecnologias fazem parte de um processo que não pode ser freado, cabe a nós refletir a maneira correta de usufruir o que a tecnologia nos traz de melhor, também é preciso estar alerta para não nós tornarmos reféns de equipamentos eletrônicos, abrindo mão de um relacionamento direto das pessoas do nosso meio. Nossos jovens e crianças também devem ser orientados nesse sentido, pois muitos já têm dificuldades de relacionamento interpessoal.
Porém, qual a melhor maneira de orientar nossos jovens e crianças a usufruir o que de melhor a tecnologia nos oferece (pontos positivos), uma vez que a oferta de produtos tecnológicos é cada vez maior e mais sedutora. Claudete
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